terça-feira, 30 de maio de 2017

A MÍDIA E AS DIRETAS

Ontem, 28, a manifestação pelas Diretas Já! reuniu cerca de 150 mil pessoas em Copacabana, no Rio, com a presença de artistas, além de lideranças sindicais, sociais e políticas.
 
Hoje fui dar a habitual espiada nas páginas de notícias que costumo visitar (Uol, Globo e Valor Econômico), com uma curiosidade a mais para acompanhar a repercussão do ato como notícia.
No período da tarde, em que pude fazer isso, não havia nenhuma chamada ou foto entre matérias em destaque. Nenhuma.
Desnecessário dizer que na Globo.com e Uol havia várias chamadas políticas de menor importância, além da tradicional preponderância de assuntos que não tenho pudor nenhum de chamar de bobagens, em que pese sua popularidade.
No Valor, em que pese a maior sisudez de um jornal especializado em economia, a ausência também choca, perto da presença de outros temas aos quais, como jornalista, eu atribuiria importância bastante menor.
Dizer que se trata de mau jornalismo não é incorreto, mas não explica.
Vejo que o ato de ontem, além de centenas de milhares de pessoas, teve a adesão de artistas, o que sinaliza um novo e importante momento das manifestações populares na atual crise política, além de representar o terceiro grande ato, em poucos dias de distância, protagonizado por organizações sindicais e movimentos sociais.
A novidade disso no cenário, não vê o meio de comunicação que não quer.
É justamente a questão: não querer.
Como não queriam na outra campanha das Diretas Já, na década de 80.
Essas grandes mídias se pautam editorialmente pela pauta que as elites políticas consideram válida e desprezam as outras, por mais novidade e mais importantes que sejam. Participam, portanto, tapando o sol com a peneira, da conservação do podre poder.
 
Valdir Grandini (Dentinho), jornalista e consultor cultural independente.

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